17 fevereiro, 2010

Comparativo de Brasília dos anos oitenta com o ano de 2008 - Uma lição de capacidade humana de transformar o ecossistema (1a parte)

Estive no mês de julho de 2008 na capital do Brasil. Impressões diferenciadas das observadas no ano de 1982.
Algumas paisagens praticamente se mantiveram imóveis, outras sofreram profundas transformações. O mesmo se aplica ao universo do conjunto sociocultural e de infraestrutura observada.

Em 1982 ao chegar em Brasília desembarquei num aeroporto acanhado que se limitava a uma área de embarque de piso térreo, menor que o aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis.

A convite do Ministério do Interior estive na capital Federal, pois era diretor do Campus Avançado da Universidade Federal de Santa Catarina, na cidade de Santarém, Estado do Pará. Ao chegar no aeroporto fui transportado em veiculo do ministério à Asa Norte. Um percurso longo praticamente desprovido de qualquer construção em seu trajeto, o que parecia ser mais longe que nos dias atuais, ainda que hoje o transito, dependendo do horário, seja caótico.

O plano piloto de Brasília era um conjunto harmonioso marcado por setores especializados, separados por distâncias consideráveis, em cujos espaços via-se em profusão gramíneas e vegetação arbustívera, o que lhe dava toda a imponência de uma cidade planejada aos mínimos detalhes

As avenidas largas e sem cruzamentos de riscos, em que circulavam volume pequeno de veículos, permitia fácil e rápidos deslocamentos; além de facilitar a que se estacionasse em qualquer ponto da cidade em que isto era autorizado.

A Torre de Televisão de Brasília, com sua imponência de mais de 300 metros de altura, permitindo uma visão panorâmica da cidade, notadamente do plano piloto, causavam profundo impacto aos que visitavam e ainda visitam a cidade pela primeira vez.
Com poucos visitantes ao monumento, subi sozinho de elevador podendo contemplar e fotografar tranqüilamente, a mais de 100 metros de altura, a paisagem visível aos quatro ventos (norte, sul, leste, oeste). Tive sorte que apareceu pouco depois outro solitário visitante, permitindo que pudéssemos nos auxiliar mutualmente em registrar as nossas próprias imagens para a posterioridade. Na época os recursos técnicos das maquinas fotográficas populares eram limitados, reduzindo a capacidade de registrar detalhes.


O Plano Piloto da explanada dos ministérios, com destaque para o Palácio da Alvorada apresentavam-se ainda sem os horrorosos anexos, dando um ar de soberba e harmonia a paisagem, emoldurado pelos gramados que separavam as avenidas e pela vegetação de serrado que se avistava como pano de fundo.
Era uma visão admirável que causou forte impacto a este catarinense que vivia em uma cidade de traços históricos coloniais marcada por ruas estreitas e predomínio de casas térreas.

A Estação Rodoviária de Brasilia era acanhada e próximo ao viaduto do plano piloto, como hoje. Não existia ainda o metro. Circulava banstante gente, mas o risco de ser assaltado, ou importunado por pedintes e desocupados era mínimo.

Circulando pelos arredores do lago Paranoá percebia-se a existencia de espaços enormes por urbanizar, com fácil acesso ao lago. Uma cidade limpa nos bairros próximo ao Plano Piloto.

Não visitei as cidades satélites, pude observa-la do avião. Eram acanhadas, marcadas por construções térreas simples. Pouco densas populacionalmente.

A biblioteca, a casa da cultura ainda não haviam sido construidas, existindo em seus lugares amplos descampados.

Passaram-se 26 anos, uma nova geração havia se formado, com as implicações de uma cidade que se expandiu numa velocidade alucinante.

Com os olhos do historiador acostumado a perceber as transformações do ambiente natural-paisagistico e intervenções humanas neste espaço, fui observando as novas paisagens que se descontivam já das alturas, vistas pela janela do avião.
Ao longo dos anos vinha acompanhando pelos meios de comunicações a explosão urbana de Brasilia e suas cidades satélites, mesmo assim foi uma surpresa observar a extensão dos aglomerados urbanos, do entorno de Brasilia, num quase continuo do Plano Piloto. Tive dificuldades de me localizar. Esperei aterrizar para sentir a realidade.

Brasilia do ano 2008 será nossa próxima conversa.

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08 fevereiro, 2009

Palhoça: História e Cultura com marca da ilha do Pico

O município de Palhoça com 361 km2 e 120.346 habitantes (projeção IBGE 2004) é um dos mais extensos e populosos de Santa Catarina, com uma história que remonta ao século XVIII, ainda que, depoimentos de viajantes relataram que em suas terras viveram no século XVI alguns náufragos.

O território marcado por diversidades de formas de relevos, em que sobressai a estreita faixa da Planície Costeira, onde as praias: Guarda do Embaú, Pinheiras, Papagaios, Pedras Altas (naturalismo), Enseada de Brito, Cedro, Marivone, Praia de Fora, Barra do Aririu, Tomé; enseadas: Enseada de Brito; costões: Pinheiras, Papagaios, Guarda do Embaú. Todos estes monumentos natural-paisagísticos de rara beleza, que emolduram a paisagem junto às águas do Oceano Atlântico.



Soma-se a este conjunto, as terras da Serra do Tabuleiro onde se destaca a exuberância de uma vegetação nativa, uma bela rede hidrográfica formado por cachoeiras e rios, que asseguram parte do abastecimento de água da Grande Florianópolis e são locais especiais para serem visitados.
O ponto mais elevado da serra do Tabuleiro é o morro do Cambirela com 860 metros de altura, que lembra a serra do Pico na ilha do mesmo nome nos Açores.
Registrando-se como curiosidade que muitos picoenses, inclusive da freguesia de São Roque se localizaram na planície próximo a este morro.


O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro com 87.000 ha., maior reserva de Mata Atlântica de Santa Catarina, que engloba terras dos municípios de Palhoça, Paulo Lopes, Santo Amaro, Águas Mornas, São Bonifácio tem sua sede nos Campos do Massiambu, junto a Br 101, onde mantém um centro de visitação.

Neste variado ecossistema viveram povos indígenas desde os tempos Pré-Colombianos. O homem de Sambaqui, o guarani, que participaram desta ocupação humana antes da chegada dos europeus.


A tentativa de ocupação sistemática por imigrantes de origem européia só ocorreu em meados do século XVII, quando o bandeirante paulista Domingos de Brito Peixoto se estabeleceu com “bens de raiz” na baia da Enseada de Brito.
Segundo relatos, os problemas enfrentados com os índios e a malária fizeram com que o empreendimento fosse abandonado por Brito Peixoto, indo se estabelecer mais ao sul, onde organizou a Vila de Laguna.

Durante quase cem anos ficou a região semi povoada, com alguns moradores descendentes dos paulistas de Brito Peixoto, quem sabe, de náufragos ou de outros aventureiros que se estabeleceram discretamente na região.


Os registros realizados em dezembro de 1750, no documento conhecido por “Mapa de Tudo que Existe nesta Ilha de Santa Catarina e Continente Frontal” elaborado pelo Governador da Capitania de Santa Catarina Manuel Escudeiro Ferreira de Souza apontam a presença de 103 “paisanos”, entre os 325 moradores da Freguesia de Enseada de Brito naquele ano. Fundada que foi por “casais açorianos” e elevada a freguesia em 13 de maio de 1750, comprovam que esta ocupação anterior deixou marcas demográficas na região.

Foi ao sul do município de Palhoça que se estabeleceram estes primeiros açorianos, portanto, foi na área do atual Distrito de Enseada de Brito que ocorreu a primeira fase de colonização do município.


Pesquisas em arquivo apontaram o número de 496 açorianos em Enseada de Brito procedentes das ilhas do Faial 169, Pico 92, Graciosa 41, Terceira 66 e São Jorge 103, São Miguel 19, Santa Maria 6, indicando que pelos anos seguintes outros açorianos se deslocaram para a região.
Estes açorianos e seus descendentes associados aos moradores remanescentes do projeto de Brito Peixoto e de outros foram os responsáveis pela ocupação inicial das terras que se estendiam de Garopaba ao atual Aririu.

Os sobrenomes: Farias, Silveira, Pereira, Machado, Melo, Fagundes, Ferreira, Coelho, Silva, Souza, Quaresma, Medeiros, Rodrigues, Antunes, Alves, Almeida, Bitancourt, Costa, Espíndola, Goulart, Lima, Luiz, Martins, Nascimento, Oliveira, Peres, Tavares, Vieira vieram com os Açorianos, embora sejam nomes comuns a outras áreas do Brasil.


Uma curiosidade com relação à fixação dos Açorianos na Freguesia de Enseada de Brito é que mantiveram as rivalidades que cultivavam nas ilhas, procurando se agrupar por comunidades e casar entre si, mantendo verdadeiros “bolsões culturais de resistência” aos integrantes das comunidades rivais. Os moradores da Praia de Fora, Furadinho, Guarda do Cubatão, Sede, Massiambu, Araçatuba tinham rivalidades que só eram superadas pela força da igreja. Dos bailes ao futebol, da pesca as festas, passando pelos namoros havia fortes rixas com os vizinhos.
No entanto, quando se tratava de problemas com outras comunidades, de outras freguesias se uniam para enfrentar este rival comum.

A área norte do município onde se localiza a cidade de Palhoça só foi ocupada de forma sistemática no final do século XVIII, destacando-se entre os que requereram sesmarias na região o açoriano Caetano Silveira de Matos que em 1793 se estabeleceu com “bens de raiz” junto ao rio Maruim.
A existência de amplos manguezais fez com que fossem ocupadas inicialmente as terras do Passavinte, Cova Funda, Aririu, Guarda do Cubatão e só em meados do século XIX as próximas a praça central do município.


Enquanto a primeira etapa foi feita por açorianos e seus descendentes, a ocupação de meados do século XIX teve nos colonos alemães e alguns italianos os principais responsáveis, conforme os sobrenomes abaixo encontrados em 1892 na região.
Os sobrenomes alemães: Emmel, Aldoff, Born, Erm, Gerber, Goerdet, Gukert, Hoeming, Jonsen, Kellion, Kerig, Kering, Knaben, Knoll, Lahmkul, Luch, Schefer, Schlemper, Schmidt, Schütz, Somar, Tiner, Truppel, Veingestner, Wagner, Werdorfer, Zimmermamnn; italiano: Bertoncini, Pierri, Pisani, Rondino, Sanseverino, Valenti

Em 24 abril de 1894, pelo Decreto Estadual número 184, de Antonio Moreira César, foi criado o município de Palhoça, desmembrado do de São José, com as terras ao sul do rio Maruim, que envolviam as freguesias de Santo Amaro do Cubatão, Águas Mornas, Enseada de Brito, Garopaba, correspondente aproximadamente dois terços da área territorial do então município de São José. Acredita-se que tenha sido vingança política, pois São José sempre foi um forte reduto monarquista.

A partir de então surge o município de Palhoça, com uma história marcada pela presença da multiculturalidade, em que aflora como marca maior a cultura de base açoriana,

A cultura de uma região é o resultado da influencia direta de seus habitantes, que através do seu “saber ser e saber fazer” deixam suas marcas culturais.
No município de Palhoça estas marcas estão mais associadas à herança cultural de base açoriana legada por estes colonizadores que foram por mais de 100 anos a base populacional do município.
Na arquitetura a “Praça de Enseada de Brito”, tombada com Patrimônio Estadual é a única de Santa Catarina que mantém o traçado original do século XVIII, ladeada por um conjunto arquitetônico com diversas construções centenárias, com destaque para a Igreja Matriz cuja nave central é do século XVIII, de influencia portuguesa e a torre frontal de 1911, de influencia Italiana.
Junto ao mar, ao lado direito da praça, existe uma casa tipo portuguesa rural, com data (1701) anterior a fixação dos Açorianos na região, portanto uma das construções mais antigas de Santa Catarina.

Na religiosidade manteve-se a marca da cultura açoriana através da centenária Festa do Espírito Santo, das Cantorias do Divino e Terno de Reis; da procissão de Corpus Cristo.
As benzeduras e o curandeirismo com ervas e ungüentos estão presentes entre a população num sincretismo que mistura catolicismo com cultos afro-brasileiros.
Nos folguedos ainda tem-se o Boi de mamão e a dança da ratoeira.
Nos equipamentos de apoio as atividades econômicas destacam-se as lanchas baleeiras e os engenhos de farinha.
Na gastronomia pratos a base de peixe, camarão, mariscos acompanhados da farinha de mandioca além dos produtos derivados da mandioca, ainda são encontrados em alguns pontos do município.
A maricultura e a pesca artesanal são atividades que absorvem volume significativo de mão de obra, em que são ainda utilizadas as lanchas baleeiras e variações destas.


Palhoça é multi-cultural no dia-a-dia de sua população pela diversidade da origem étnico-cultural dos seus moradores atuais, sem, no entanto, ressaltar uma identidade forte como a deixada pela cultura de base açoriana.
O município precisa navegar em direção a modernidade sem relegar a sua herança cultural de base açoriana e estimular as marcas culturais das outras etnias.

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17 janeiro, 2009

Um Sonho Açoriano

Convidado a participar da mesa redonda Herança Açoriana fiquei a pensar que tipo de contribuição poderia dar aos participantes do evento, pois eram muitos os especialistas que estavam se debruçando sobre a temática açoriana, na passagem dos 260 anos da Colonização Açoriana em Santa Catarina.
Conclui que contar um pouco da minha trajetória enquanto pesquisador e fundador do Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina seria uma maneira de honrar os inúmeros abnegados que juntos provocamos uma verdadeira revolução no modo de olhar e valorizar os “ valores culturais de base açoriana existentes no litoral de Santa Catarina”.


Isto foi possível graças às informações e relações profissionais e de amizades construídas a partir da vivencia universitária, com professores e colegas da UFSC desde o ano de 1970.

Teoricamente é fácil de conceituar cultura popular e promover sua defesa e valorização. Na prática, exige mais que conceitos teóricos, é preciso se envolver com o chamado “legado cultural” existente, para poder gerar ações concretas de valorização e defesa da cultura de um povo. Entendida, como o “resultado das inúmeras manifestações do saber ser e saber fazer associados aos desafios de sobrevivência da população”.

Descendente em oitava geração dos “casais açorianos” que fundaram no litoral de Santa Catarina, Brasil, a freguesia de Enseadas de Brito em 1750, tenho a vivencia do “legado étnico-cultural açoriano” que se mantém ainda nesta comunidade, como marca cultural local. Vivenciei estas experiências nas décadas de cinqüenta e sessenta do século XX, quando estas manifestações eram mais forte que atualmente.

Ao ingressar na Universidade Federal de Santa Catarina no ano de 1970, como aluno do curso de História, tive a oportunidade de descobrir que era “descendente dos casais açorianos vindos para Santa Catarina no século XVIII”. Foi uma revelação que mexeu profundamente comigo, despertando o desejo profundo de devolver aos descendentes de açorianos do litoral de Santa Catarina “o orgulho pelas suas origens”, que não conheciam como eu, mas que praticavam valores culturais de base açoriana, legado pelos seus antepassados. Jurei na oportunidade que dedicaria parte da minha vida a este projeto.


Era uma época de afirmação das “etnias européias estabelecidas em Santa Catarina”, com maior visibilidade para os descendentes de alemães e em menor escala italianos, em cujo contexto o homem do litoral era pejorativamente tratado de “brasileiro” por estas etnias, como se estes não o fossem.


Ao me interessar pela temática procurei levantar informações e participar de eventos em que estivessem em evidencia a cultura açoriana.
Foi uma grande emoção ter contato e me tornar parte do grupo de pesquisadores que vinham trabalhando a questão açoriana e as relações com o arquipélago dos Açores (Portugal). Os professores Walter Fernando Piazza, Osvaldo Rodrigues Cabral, Osvaldo Ferreira de Mello, Nereu do Vale Pereira, Luiz Carlos Halfpap, Celestino Sachet foram especialistas que comecei a ter contatos e troca de experiências.

Excelentes pesquisadores comprometidos com o meio universitário, onde faziam circular estas informações, dificilmente compartilhando com as comunidades de onde obtinham seus dados.

Como fazer para romper com os muros da universidade e viabilizar a chegada das informações acadêmicas aos moradores do litoral catarinense, estimulando-os o orgulho por suas raízes açorianas?
Criar o NEA - Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina, com uma estrutura de conselho deliberativo com representantes de instituições públicas e privadas responsáveis por políticas culturais que envolvessem a cultura de base açoriana do litoral catarinense.


Foi criado em 1984, sem alma, apenas como referencia universitária, sem que prosperasse em ações efetivas que envolvesse as comunidades litorâneas, pois se limitou a organizar eventos sobre a temática no meio universitário.

Em 1992 tivemos a oportunidade de redimensionar o NEA, com o apoio do então Pró-Reitor de Cultura e Extensão professor Julio Wigger e do Reitor Deomário Queiroz tornando-o uma realidade dinâmica.
Vinculado diretamente a Vice-Reitoria de Cultura e Extensão pode ser organizado com representação que ia além dos departamentos e da UFSC, rompendo com este sistema tradicional de organização de núcleos de pesquisa na UFSC.


Já em 1992 foi formado o Conselho Deliberativo do NEA com a participação de representantes de 30 instituições do litoral de Santa Catarina, distribuídas num raio de 500 km entre prefeituras, universidade regionais, fundações e associações.


A sobrevivência do Núcleo de Estudos Açorianos dependia das respostas que conseguíssemos dar tanto no meio universitário, quanto nas comunidades do litoral catarinense.
Utilizando recursos próprios e apoios da UFSC conseguiu-se despertar o interesse das instituições do litoral catarinense que passaram a freqüentar as reuniões do Conselho Deliberativo do NEA, os mais afastados percorriam mais de 200 km para participar.


O leque de ações proposto pelos conselhos foi ótimo e tem desdobramentos até os dias atuais com ações que já duram 15 anos, sem esmorecer. É sem dúvida um dos núcleos de pesquisa/ extensão universitária mais bem sucedida do Brasil, tendo com suas ações constantes, envolvido um público de milhões de pessoas, seja em eventos, orientações técnicas, apoio ao turismo.
São ações permanentes bem sucedidas:
- Parceria com o Governo Regional dos Açores no desenvolvimento de ações de troca de experiências, com idas de catarinenses ao arquipélago e de açorianos a Santa Catarina;
- Mapeamento da cultura de base açoriana do litoral catarinense, cujo modelo sistêmico e instrumentos de pesquisa de campo, tenho a honra de ser o autor;
- Instituição do AÇOR FESTA – Festa da Cultura Açoriana de Santa Catarina, que já esta na 15 edição, com sua característica de rotatividade ao longo dos municípios do litoral de Santa Catarina;
- Cursos de capacitação para professores em cultura de base açoriana para que possam trabalhar com os alunos a suas origens culturais;
- Divulgação de informações sobre a cultura de base açoriana de Santa Catarina em ponte com os Açores, do qual sou um dos especialistas, com a produção de diversos livros em que esta temática é abordada;
- Organização de um banco de dados, que esta disponibilizando as comunidades as informações pesquisadas;
- O mais importante, a manutenção da alma açoriana, através da valorização e defesa destes valores culturais que estavam em risco de desaparecimento, por vergonha de sua prática.


Faço parte da segunda leva dos especialistas apaixonados pela cultura açoriana, criando a expressão: “cultura de base açoriana” para designar a existente em Santa Catarina da cultura açoriana existente no arquipélago dos Açores, bastante diferente, em relação a existente em nosso estado.


Junto com outros abnegados e visionários, que acreditavam que os estudos universitários deveriam retornar as comunidades, servindo de motivação para a manutenção e revitalização da cultura, bem como base do desenvolvimento regional, afirmo que fizemos à revolução, popularizando as informações sobre a cultura de base açoriana, aproximando o meio acadêmico das comunidades.


Ainda que esquecendo o nome de muitos, quero homenagear a todos ilustres lutadores pela realização deste sonho, na figura dos citados: Joi Cletson, Alves, Gelci Coelho(Peninha), Francisco do Vale Pereira, Acir Osmar de Oliveira, Leopoldo Silva, Ana Lucia Coutinho, Andréia Krauvtz, Sileide Lisboa, Nereu do Vale Pereira, Ruth Nunes.


A missão continua. É preciso avançar com novas realizações sem perder de vista que “a alma do povo é à força da cultura de base açoriana de Santa Catarina; cabendo a terceira geração de pesquisadores/ amantes destes valores culturais, continuar com a saga iniciada em meados do século XX.

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07 setembro, 2007

São José 254 anos - Em busca das raízes

Ano: 2006
Editora: Edição do autor
Páginas: 479

A obra SÃO JOSÉ - 254 ANOS – EM BUSCA DAS RAÍZES, representa um passo importante no estabelecimento das raízes históricas e culturais dos Josefenses, cujos antepassados vieram dos Açores, em meados do século XVIII e fundaram a freguesia de São José da Terra Firme em 26 de outubro de 1750 e a valorização de outras etnias que se juntaram, ao longo dos anos, aos açorianos, na construção da história de São José .

Ao longo de suas 509 páginas, os capítulos estão encadeados de forma a permitir uma caminhada comparativa, partindo da visão do hoje, passando pelos recursos naturais- paisagísticas e forma de utiliza-los e, os respectivos desdobramentos geo- históricos, socioculturais, político- administrativo, para coroar com o momento presente vivenciados por josefenses, através das ações de seus administradores.

Muito bem ilustrado, com mais de duzentas fotografias, coloridas e em preto e braço, mapas e quadros, permite a visualização dos temas abordados.
Ao mapas da evolução histórica de São José, mostram que o Estreito hoje pertencente a Florianópolis, fazia parte de São José até o ano de 1944.

Quadros da relação dos vereadores, dos chefes do poder executivo (presidente da câmara, superintendente municipal e por ultimo prefeito), desde 1833, permite conhecer as lideranças políticas municipais josefense ao longo dos séculos.

Os quadros contendo os troncos familiares açorianos, procedentes por ilha e freguesia dos Açores, que fundaram São José em 1750 é um documento de enorme valor histórico, para provar a origem açoriana do município de São José.

Outros quadros mostram a presença de diversas etnias na formação de São José em fins do século XIX.

O primeiro capítulo: SÃO JOSÉ NO INÍCIO DO TERCEIRO MILÊNIO NO PLANETA TERRA procura expor uma visão ampla de São José no início do Terceiro Milênio, indicando pontos que mostram, dificuldades e potenciais ao desenvolvimento regional e as suas relações com o mundo globalizado.

O segundo capítulo: OS AÇORES NA PASSAGEM DOS 500 ANOS DE POVOAMENTO, propõe- se mostrar as condições geo- históricas que ensejaram a ocupação do arquipélago dos Açores e o seu evoluir pelos séculos, até cristalizar-se numa região com frágil equilíbrio ecológico- demográfico, mas de grande potencial ao desenvolvimento turístico.

O terceiro capítulo: MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS EM SÃO JOSÉ E NOS AÇORES – INFLUENCIAS NAS VIDAS DOS AÇORIANOS E SEUS DESCENDENTES reflete a preocupação de se mostrar que a par das raízes culturais comuns, tiveram estes povos, que enfrentar e lidar com meio ambiente e recursos naturais diferenciados, que influenciaram nas atividades econômicas e hábitos socioculturais, refletidos, ainda hoje por seus habitantes.
Descreve-se dados do meio ambiente e recursos naturais, dos séculos XV XVI, para os Açores, que corresponde ao período de instalação dos europeus nas ilhas, estabelecendo ponte com o existente atualmente. No tocante a São José, mostra-se esta visualização, referentes aos séculos XVIII e XIX, que corresponde a fase de ocupação européia do município de São José, estabelecendo igualmente as relações com o existente no presente.
Neste capítulo faz-se uma análise das condições do meio ambiente, políticas de preservação e riscos existentes aos ecossistemas nas duas regiões do globo.


O quarto capítulo: A OCUPAÇÃO HUMANA DE SÃO JOSÉ E DOS AÇORES AO LONGO DOS ÚLTIMOS 500 ANOS propõem-se mostrar, que o elemento humano que originou o povoamento das duas regiões foi diferenciado em sua composição, seja por condicionantes dos tempos históricos em que ocorreram, ainda que tenham mantido a essência cultural lusitana nas duas regiões.

Mostrar que os Açorianos, a par de serem de nacionalidade portuguesa, tiveram em sua formação étnico-cultural, a presença de inúmeros povos, como os flamengos, os franceses e mesmo espanhóis, em proporção tais, que sua cultura ficou marcado por traços destes povos, até mesmo na genealogia.
Por outro lado, mostra-se que os josefenses atuais, resultaram além deste caldeamento açoriana, que chegou no século XVIII, de luso- brasileiros da região de São Paulo, de portugueses continentais, de elementos nativos, os índios, dos negros, dos alemães, dos italianos, poloneses, sírio- libaneses e de tantas outras etnias, que se fundiram e hoje fazem parte do município de São José.

No quinto capitulo: OS AÇORIANOS QUE FUNDARAM SÃO JOSÉ NO SÉCULO XVIII, traz a razão de ser desta obra, a verdadeira ponte humana entre o arquipélago dos Açores e os josefenses atuais. Neste capítulo são apresentados as famílias, recompostas, que saíram dos Açores para São José no século XVIII. Apresenta-se estes dados por ilhas e freguesias de procedência destes casais açorianos.

Pela primeira vez, é publicado uma relação nominal de 351 troncos familiares, totalizando 778 açorianos, dos que se fixaram em São José no século XVIII.

No sexto capítulo: A DINÂMICA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SÃO JOSÉ E AÇORES AO LONGO DOS SÉCULOS: CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS, faz-se uma análise sintética deste evoluir apoiado em dados objetivos, que permitem compreender as diferenças e semelhanças econômicas que mercaram as duas regiões ao longo dos séculos.

O sétimo capítulo: OS PODERES POLÍTICOS HOJE: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE O BRASIL E PORTUGAL (AÇORES), tem como finalidade mostrar as diferenças existentes entre o sistema político-administrativo brasileiro e Português, considerando que vivenciam as duas nações regimes políticos diferenciados. No Brasil, uma República Presidencialista, em Portugal uma República Parlamentarista.

No oitavo capítulo: EVOLUÇÃO POLITICA- ADMINISTRATIVA DE SÃO JOSÉ, procura-se mostrar o evoluir político- administrativo, a partir das estruturas política-administrativa implantada ao longo dos séculos, que se refletiram a nível de municipalidade. Mostra-se dados documentais referentes à implantação dos poderes políticos e seu exercício até o presente.

O nono capítulo O EXERCÍCIO DOS PODERES POLÍTICOS EM SÃO JOSÉ AO LONGOS DOS SÉCULOS, apresenta dados referentes ao estabelecimento dos poderes políticos em São José e quem os exerceu ao longo do período de 1833 a 2004.
No décimo capítulo: SÍMBOLOS MUNICIPAIS, apresenta-se dados referentes aos 4 símbolos municipais:bandeira, hino,brasão e marca municipal de turismo, importantes na construção da cidadania, de largo uso na rede de ensino.

O capítulo onze: MEMÓRIA URBANA - UNINDO JOSEFENSE E AÇORIANOS procura analisar aos modelos construtivos implantados ao longo dos séculos na arquitetura desenvolvida nos Açores e em Santa Catarina/ São José, procurando destacar a importância desempenhada pelos modelos arquitetônicos portugueses e luso-brasileiros de diferentes épocas, nas respectivas regiões.
No referente a São José aborda tanto a evolução arquitetônica, como a expansão da malha urbana até os dias de hoje.

O capítulo doze: FOLCLORE apresenta dados que confirmam a ponte cultural existente entre os dois povos, que mesmo separados no espaço e no tempo, conseguiram manter traços originais da cultura popular das ilhas, em terras catarinenses, que em muitos aspectos, apresentam praticas já esquecidas nas ilhas.
As danças e folguedos são apresentados com suas características regionais, procurando associa-los, sempre que isso foi possível. Muitos valores da cultura de base açoriana do litoral catarinense, apresentam práticas originais que só na estrutura coreográfica lembram os Açores, representando uma recriação cultural, adaptada ao sul do Brasil, é o caso do BOI-DE-MAMÃO.

Nos capítulos treze: LITERATURA POPULAR; quatorze: RELIGIOSODADE/CRENÇAS E MITOS; quinze: ARTESANATO, apresenta-se dados relativos as práticas culturais que ocorrem em São José, e em alguns pontos do litoral catarinense, buscando associar estas práticas, com práticas assemelhadas que ocorrem nos Açores.
São muitas as informações, que deixam em evidência que a cultura do litoral catarinense/ São José tem profundas raízes no arquipélago dos Açores, identificáveis ainda nos dias de hoje.

No capítulo dezesseis: OLHARES SOBRE O OUTRO LADO DO ATLÂNTICO procura -se mostrar, através de diversos depoimentos de pessoas que conheceram o outro lado, ou seja, catarinenses/ josefenses que conheceram os Açores e açorianos que conheceram Santa Catarina/São José, que existe um número significativo de elementos que assemelham culturalmente as duas regiões e outros que são específicos de uma das regiões focadas.

O capítulo dezessete: SÃO JOSÉ E PRAIA DA VITÓRIA – CIDADES IRMÃS PARA ALÉM DO PROTOCOLO, procura mostrar que existe uma identidade humana e cultural, que tornam as cidades de São José, muito mais que meras coadjuvantes de um protocolo escrito, estão profundamente unidas por laços de consangüinidade entre muitos Josefenses e Praienses, além é clara de profundos traços de açorianidade, que tornam estes dois povos verdadeiros irmãos.

No capítulo dezoito: SÃO JOSÉ UM ELO DAS RAÍZES AÇORIANAS NO CONE SUL, faz-se um amplo relato referente à fundação da comunidade de San Carlos no Uruguai, por casais açorianos aprisionados por D. Sevallos, em 1763 junto a cidade do Rio Grande, fazendo-se uma ponte no tempo até o presente.

O capítulo dezenove: PROJETANDO O FUTURO é um mergulho no tempo presente de São José, mostrando as profundas transformações ocorridas na infraestrutura de saneamento básico, melhoria e construção de novas vias, qualificação da saúde e educação, projetando São José como uma das cidades brasileiras com maior crescimento na qualidade de vida da população.

É uma obra rica e oportuna, que merece ser lida por todos aqueles que precisam conhecer São José. Fundamental a professores, empresários e pessoas que desejam prestar concurso público junto ao município.

Pode ser adquirida diretamente com o autor pelo e-mail na home
Valor de venda 25,00 reais + frete.

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01 setembro, 2007

São José 250 anos

Ano: 2003
Editora: Edição do autor.
Páginas: 304

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Penha: 243 anos

Ano: 2003
Editora: Edição do autor.
Páginas: 304

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Palhoça - Natureza, História e Cultura

Ano: 2005
Editora: Edição do autor
Páginas: 320

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Itapema


Ano: 1999
Editora: Edição do autor
Páginas: 187

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São José: 256 anos - Em busca das Raízes

Ano: 2002
Editora: Edição do
Páginas: 448

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Sombrio: 85 anos

Ano: 2000
Editora: Edição do autor
Páginas: 328

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De São José aos Açores: 252 anos - Em busca das Raízes

Ano: 2002
Editora: Edição do autor
Páginas: 448

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